Quase contente.

O fim do ano tá chegando, todo mundo correndo pra lá e pra cá, querendo férias, querendo dinheiro, querendo amor.

Sabe o que eu quero? Agradecer.

Esse ano eu posso dizer que fiz alguma coisa, afinal estou numa faculdade. Particular, mas ok.

E é com muita alegria que eu digo que esse ano eu QUASE não tenho o que reclamar. Acompanhem comigo.

Entrei na faculdade, consegui um quarto só pra mim [vitória!], sabe-se lá como mantive meu namorado junto da minha pessoa [um prêmio pra ele], conheci pessoas novas, fiz novas amizades… e segue.

Pela primeira vez eu chego no fim de um ano QUASE  sem ter o que reclamar. Olha que alegria.

Por que o QUASE Gabriela?

Bom, porque eu ainda sou um ser humano, e sendo um ser humano desenvolvido [ou não] sempre terei coisas a reclamar. Não é essa a lei da vida?

Eu juro que não conheço ninguém que seja completamente contente. TODO MUNDO reclama e não tem jeito. É da espécie, sabe?

Só que sei lá, esse fim de ano eu resolvi fazer algo de diferente e to achando melhor agradecer e ver o que aconteceu de bom do que ficar reclamando do que não deu certo.

Vamos tentar, galerinha? haha

 

TPM, sua linda.

Essa TPM ta de matar. Matar os outros, no caso, porque né.

Eu ando numa onda de mal humor, fúria, ódio, mágoa, gritos e palavrões.

Ando sem paciência para todos os tipos de pessoas. As que se fazem de coitada, as burras, as mimadas, e as chatas mesmo. Por dentro eu quero mandar todo mundo pra puta que pariu, por fora eu faço cara de sono. Até porque é melhor falar que to com sono do que “EU TO DE SACO CHEIO DE TI VAI PRO INFERNO” :)

E assim, eu acho que essas pessoas tem um radar. Elas percebem que eu não to no clima da amizade e FORÇAM a barra. Ai, muita água com açúcar pra mim!

Além dessa fúria toda, eu ando desmotivada. Acordo, penso no que vai ser meu dia e imediatamente quero voltar pra cama. Quando vai chegando a hora de ir pra faculdade já começo a murchar e só consigo pensar nas aulas chatas que eu vou ter. Penso em tudo que eu ainda tenho que estudar pro vestibular e quase choro. Penso nos exercícios físicos que eu deveria estar fazendo e só penso em comer! SOCORRO.

E eu sei que tudo isso é culpa da TPM e daqui uns dias tudo vai voltar ao normal e eu vou começar a enxergar as pequenas alegrias do meu dia de novo.

Até o mês que vem, claro.

Já dizia Lady Murphy.

Aí você teve um dia daqueles. Acordou com o cabelo feio, levou sermão do chefe, derramou café na roupa, brigou com o namorado no almoço e o que mais quer é chegar em casa, por os pijamas e ver qualquer coisa na TV.

Até chegar em casa você sabe que precisa passar por mais um teste de sobrevivência: pegar o ônibus.

E pior: na hora do rush!

Aquele ônibus que você mal consegue subir de tão lotado. Aquele que você fica se perguntando como pode dois corpos ocupar o mesmo espaço. É, aquele mesmo.

A muito custo, você passa pela roleta e por um milagre divino acha um lugar lá no fundo. O banco está quebrado, mas tudo bem. Isso só pode ser um sinal de que a noite vai ser boa.

Quando você já está agradecendo a todos os deuses existentes pela noite linda que está por vir, você ouve um som vindo de algum lugar do meio do ônibus. Um som que aos poucos você vai reconhecendo as batidas e acaba identificando o que é. Sim, é o funk.

Por dentro você chora e começa a xingar todos os deuses que antes agradecia. Por fora faz cara de paisagem, porque você sabe que essa é a lei da vida: nada está tão ruim que não possa piorar. Maldita Lei de Murphy! E você também sabe que não adianta reclamar ou se exaltar. Os seres que escutam funk são intocáveis, nada os atinge.

Bom, uma hora eles vão embora, certo? Errado. Óbvio que eles só descem depois de você, mas pelo menos a sua parada é logo ali.

Aí você desce, torce o pé quando pisa no chão, finge que nada aconteceu e entra no seu prédio.

Nossa, nada pode mesmo piorar agora! Tsc, ingênua, você. O prédio está sem luz e você sobe 10 andares pela escada. Tudo bem, pelo menos faz algum exercício.

No último degrau, você já está quase de joelhos se perguntando por que os deuses te odeiam tanto.

Mas eis que você abre a porta. Tudo escuro. Vai na cozinha para pegar um pouco de água e se depara com seu belíssimo namorado, que está perto da mesa, terminando de preparar um jantar a luz de velas. Além disso, você percebe que a cozinha está repleta de buquês de flores. Começa a agradecer os deuses de novo, afinal eles não te odeiam tanto assim. Aí você beija o namorado e diz que precisa trocar de roupa antes de jantar.

Você chega no quarto e vê o seu pijama bem dobradinho em cima da cama junto com uma coleção dos seus filmes preferidos. Obra do namorado.

E então você pensa: Puxa, existe vida além da Lady Murphy!

*crônica escrita pra aula de Português.*

Update: Essa crônica é quase toda fictícia. Só é baseada num dia difícil meu. Eu não moro em um prédio, por exemplo. haha. E claro, dramatizei um pouco as coisas para ficar mais engraçado. :)